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Fuente: Voltemos ao Evangelho
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Você se preocupa que sua busca por boa forma física esteja alimentando seu orgulho em vez de honrar a Deus? Hoje, no programa John Piper Responde, o pastor John nos apresentará três métricas para desvendar nossas motivações em relação à imagem corporal e garantir que nosso exercício exista para que não nós, mas Jesus, pareça forte em nossas vidas. O assunto veio de uma pergunta na caixa de entrada de uma ouvinte chamada Avery, que mora em Austin, Texas. Ela escreveu:
“Prezado Pastor John, ultimamente tenho me sentido em conflito. Dedico muito tempo aos exercícios físicos e à preparação de refeições, indo à academia cinco dias por semana. Sigo vários influenciadores no Instagram em busca de motivação. Superficialmente, parece que estou apenas cuidando do corpo que Deus me deu, e sei que disciplina é algo bom. Mas, para ser sincera, às vezes começo a me sentir um pouco vazia. Me preocupo que o que começou como um hábito saudável esteja alimentando meu orgulho, e que meu desejo de ser saudável esteja misturado com a intensa pressão do mundo em estar no padrão de beleza deste tempo. Quero realmente honrar a Deus nisso, mas é difícil separar minhas motivações. Como posso saber quando minha busca por boa forma física deixa de ser uma boa mordomia e se transforma em uma busca pecaminosa por autoglorificação? Onde essa linha divisória é encontrada na Bíblia?”
Vou resumir minha resposta em uma frase e depois tentarei explicar suas implicações. A disciplina da busca pelo condicionamento físico se torna uma glorificação pecaminosa quando deixa de ser buscada como um meio de (1) vencer nossos próprios pecados, (2) servir aos outros e (3) glorificar a Cristo.
Agora, este é um problema enorme tanto para homens quanto para mulheres em nossa cultura, porque hora após hora, todos os dias — por meio da publicidade e de outras mídias — somos constantemente levados a crer que, para sermos bem-sucedidos e felizes, nossos corpos precisam ter uma determinada aparência. Então, seja falando sobre a maneira como nos vestimos, como arrumamos o cabelo ou como nos exercitamos para estar em forma, o cristão precisa ter clareza sobre a maneira como Jesus nos chama a fazer isso, o que nos diferencia do mundo — e eu acredito que Ele faz.
O que estou sugerindo é que existem três maneiras de avaliar se nossa busca por boa forma física é pecaminosa ou não. Essas três maneiras são as seguintes:
Então, vamos analisá-los um de cada vez.
Será que seus treinos na academia são uma estratégia para vencer o pecado em sua vida? Eu acredito que sim. Paulo disse que castigava o próprio corpo para mantê-lo em sujeição, porque sabia que havia tentações poderosas da carne que podiam minar seu ministério (1 Coríntios 9.27). A preguiça é uma delas.
No livro de Provérbios, somos repetidamente advertidos contra a preguiça. Provérbios 20.4: “O preguiçoso não lavra por causa do inverno, pelo que, na sega, procura e nada encontra.” Provérbios 21.25: “O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar.” Portanto, é bom exercitar-se, alimentar-se e dormir de forma saudável para subjugar os impulsos escravizantes do corpo, incluindo a preguiça. Paulo disse em 1 Coríntios 6.12: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas .” Isso inclui tanto coisas boas quanto ruins. É bom exercitar-se para vencer o pecado da preguiça e o amor ao conforto.
Ora, assim que digo isso, todo santo biblicamente maduro percebe que Jesus também advertiu contra se vangloriar desse tipo de autodisciplina. Ele advertiu contra amar a reputação de ser uma pessoa disciplinada:
Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuares… (Mateus 6.16-17)
Aqui, jejum significa qualquer tipo de autonegação, como jejuar de televisão — e aí, “Você não tem televisão, John Piper; uau, você está tão orgulhoso disso, blá, blá, blá” — ou jejuar da facilidade, para treinar até a exaustão, ou jejuar de comida, ou qualquer outra coisa. Jejum aqui representa qualquer tipo de autodisciplina.
…quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para que o teu jejum não seja visto pelos outros, mas apenas por teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. ( Mateus 6.17-18 )
Então, sim, sem dúvida, sejamos disciplinados e abnegados na busca por vencer o pecado em nossas próprias vidas — e estejamos sempre alertas à natureza enganosa do pecado, que nos leva a nos vangloriarmos dos próprios triunfos sobre ele, transformando assim o triunfo sobre o pecado em derrota por outro pecado. É assim que somos enganosos em nossos próprios corações. O que nos leva agora à segunda maneira de avaliarmos se nossa busca pela perfeição é pecaminosa.
Será que nossa busca pelo condicionamento físico se deve a um desejo genuíno de nos tornarmos mais úteis no serviço ao bem comum, tanto temporal quanto eterno? Você busca estar em forma para ser fiel? Busca ser saudável para ser prestativo? Sua preocupação com a aparência é uma forma de amar melhor as pessoas ao seu redor?
Quando os discípulos discutiram sobre quem era o maior, Jesus disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, deverá ser o último e servo de todos” (Marcos 9.35). Em outras palavras, em vez de espelhos na academia, deveria haver grandes placas na parede com os dizeres: “Quem quiser ser grande deverá ser servo de todos”. Então, você quer ser forte, quer estar em forma, quer ser musculoso — você vai usar isso para ser um servo mais fiel das pessoas, ou está apenas querendo ser visto pelos outros? Se estiver, essa é uma atitude condenável e você está em grandes apuros. Isso é o que Jesus diria — e ele disse.
A busca pelo condicionamento físico é um desejo genuíno de demonstrar que Cristo é mais valioso para você do que sua aparência, sua saúde ou sua reputação de ser disciplinado? Você busca fazer com que Cristo brilhe, ou apenas a si mesmo?
Eis o que Paulo disse em Efésios 6.10: “Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e na força do seu poder”. Em outras palavras, a verdadeira força reside em buscarmos a força de Cristo — não a força em nós mesmos, mas a força no Senhor. Nosso objetivo na academia é sermos fortes de uma maneira que faça Jesus parecer forte. Precisamos descobrir isso, ou seremos idólatras, seremos vaidosos. Veja como Pedro expressou isso em 1 Pedro 1.24-25:
Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre.
Na academia, a glória que as pessoas estão buscando é como a relva: ela murcha, ela cai — acredite em mim. Eu corro regularmente desde os 22 anos. Isso não é uma fonte da juventude, pessoal. Você vai ficar flácido; vai ficar enrugado; vai ficar manchado; vai ficar com a pele ressecada. Você não vai ser “bonito” nem “descolado”. E, se você investiu a sua vida nisso, ah… você vai parecer digno de pena — como tanta gente mais velha que vive tentando sustentar uma aparência jovem a qualquer custo, exibindo um “bronzeado” forçado e uma pele caída e enrugada. É simplesmente ridículo.
Então, podemos concluir com esta palavra: “Exercitem-se fielmente”. Ou seja, façam seus treinos na academia, ou de corrida, ou qualquer outro esporte, para vencer o pecado em sua própria vida, para se tornarem mais úteis no serviço ao bem temporal e eterno dos outros e, sim, vocês podem, para mostrar que Cristo é mais valioso, mais precioso para vocês do que sua aparência, sua saúde ou sua reputação de serem disciplinados.
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